O Dilema das Promoções

O Dilema das Promoções
O Dilema das Promoções

Imagine que um gestor na sua Organização deve ser substituído, seja porque ele está deixando a empresa em busca de outros desafios, seja porque não estava correspondendo satisfatoriamente às expectativas. De qualquer modo, essa é uma situação do cotidiano das Organizações. Nesse momento, sempre vem à tona a questão: promover internamente, ou selecionar no mercado. E quem é o candidato ideal?

A Lei de Putt

Nesse contexto, vale lembrar do livro Putt’s Law and the Successful Technocrat (A Lei de Putt e o Tecnocrata de Sucesso – em tradução livre), escrito por Archibald Putt (pseudônimo), em que ele estabelece a Lei de Putt (Putt’s Law): “A Tecnologia é dominada por dois tipos de pessoas, aqueles que entendem o que não gerenciam e aqueles que gerenciam o que não entendem“. Num contexto mais amplo, podemos pensar que isso pode ocorrer em qualquer área, mesmo porque, você provavelmente já deve ter conhecido algum exemplo disso numa das Organizações onde trabalhou.

A Promoção do Técnico

Outra situação conhecida é daquele técnico competente que, para ser recompensado, a Organização resolve promove-lo a gestor; e aí, perde-se o melhor técnico e ganha-se um péssimo gestor. Não porque um técnico não possa ser promovido a gestor, claro que não; mas é indispensável que esse técnico tenha as competências de gestão (pelo menos a maioria) suficientemente desenvolvidas para assumir o novo desafio.

O Dilema das Promoções

O Dilema das Promoções é justamente esse: promover um técnico competente para ocupar a vaga de gestor, ou contratar um gestor competente, sem o conhecimento técnico. Então, o que fazer? Ao promover alguém que não é técnico, pode-se cair na Lei de Putt; mas, ao promover um técnico, pode-se perdê-lo para sempre, ganhando um péssimo gestor.

Mas, fique tranquilo, pois a solução é mais simples do que parece. O ideal, poderíamos pensar, seria um especialista da área técnica, com boa competência em gestão. Porém, posso dizer pela minha experiência, isso é algo muito raro. No entanto, o balizamento fundamental deverá ser pelas competências de gestão; eu já comentei em alguns de meus livros e em vários artigos, que as 12 principais competências que um bom gestor precisa ter, são:

  • gestão do tempo
  • estabelecimento de metas
  • organização
  • delegação de poderes
  • avaliação eficaz da equipe
  • desenvolvimento de competências
  • liderança
  • análise crítica
  • melhoria contínua
  • planejamento
  • visão detalhada dos processos que administra
  • visão geral dos processos da organização

Veja que o gestor precisa conhecer em detalhes os processos que administra, mas não precisa ser um especialista técnico. Por quê? Porque se ele tem as competências de análise crítica, visão detalhada dos processos e liderança (além das outras, é claro! mas, nesse caso, principalmente essas) bem desenvolvidas, ele saberá aproveitar as melhores alternativas quando houver decisões técnicas a serem tomadas, dando apropriada relevância à voz do time de técnicos.

Portanto, para resolver o dilema das promoções, devemos focar nessas 12 competências principais de gestão, não importando se a pessoa é um especialista técnico, um candidato de fora da Organização, ou o que seja. O que mais importa, é que essas competências principais de gestão sejam atendidas, pois o resto se resolverá naturalmente.


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Autor: Rodrigo Vargas – Engenheiro mecânico (UFPR), pós-graduado em engenharia de man. mecânica (UFPR), pós-graduado em gestão empresarial (FGV), com mais de 17 anos de experiência em ambiente industrial, sendo mais de 13 anos ocupando cargos de gestão na indústria automotiva e eletroeletrônica; compartilhando conhecimento sobre gestão, há mais de 10 anos, através do portal GestaoIndustrial.com.


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