Corte o Mal pela Raiz!

“Poxa! Por que eu não fiz isso na hora certa?”

Esse pensamento, provavelmente, já deve ter lhe ocorrido algum dia, por ter deixado de tomar alguma ação que deveria ter tomado! Bem, a parte boa é que esse tipo de situação sempre nos ensina lições inestimáveis. Normalmente, se você pensa que deve tomar alguma ação, é porque, provavelmente, deve fazê-lo. Em gestão, podemos enfrentar esse tipo de situação todos os dias. Então, preste atenção na sua intuição, e não perca o tempo certo para fazer a coisa certa!

Uma história útil

Veja o seguinte caso que aconteceu em uma determinada empresa: vou contar a história de um gerente que foi contratado para reestruturar uma área importante da empresa. Seu chefe disse a ele que queria ver transparência na área, fazer com que os colaboradores seguissem os procedimentos, impedindo o mau comportamento dos membros da equipe. Isto posto, o gerente começou a revisar todos os procedimentos do departamento, disciplinando comportamentos, melhorando a eficiência dos processos, e tornando o departamento mais transparente no cumprimento de suas obrigações e no uso de seu orçamento.

Uma das responsabilidades do gestor era aprovar (assinar) todos o relatórios de despesas de viagem de sua equipe (e eram muitas viagens). Mas, para fazer isso de modo efetivo, ele costumava revisar os itens e até refazer as contas dos gastos. Neste relatório, as pessoas listavam as despesas que tiveram, e os respectivos reembolsos a que tinham direito. Um dia, um membro de sua equipe trouxe um relatório de viagem com três recibos para apenas um jantar (no mesmo dia!), sendo que eram de dois restaurantes diferentes. Obviamente, o gerente chamou o colaborador e perguntou-lhe por que três recibos para apenas um jantar, já que a empresa não pagava refeições para convidados, apenas para o empregado. O sujeito disse, então, que deveria ter sido algum erro. O colaborador pediu o relatório de volta para que ele pudesse fazer as correções. No dia seguinte, ele trouxe o relatório com apenas um recibo para o referido jantar, ou seja, solicitando o reembolso de apenas um daqueles três recibos. Esse mesmo membro da equipe estava acostumado a não seguir vários dos processos da área, então, imagine que o desafio desse gerente não era pequeno.

Um dia, enquanto esse gerente almoçava com seu chefe, comentou sobre esse membro da equipe, e de seu mau comportamento. Seu chefe disse prontamente: Não perca tempo, demita-o! Mas o gerente não fez isso, disse ao seu chefe que ele estava tentando mudar o comportamento das pessoas, e queria dar mais tempo a esse colaborador. Muito bem, algum tempo depois, esse membro da equipe começou a conspirar contra o gerente, e as dificuldades para ele, que já não eram pequenas, cresceram ainda mais, principalmente depois que seu chefe deixou a empresa para assumir um novo trabalho em outra empresa. Mas, antes do chefe sair, ele aconselhou esse gerente a manter-se alerta sobre as intrigas que o envolviam.

Em resumo, o que ocorreu na sequência foi que um novo chefe assumiu a posição e dois meses depois ele produziu uma avaliação de desempenho completamente falsa e depreciativa desse gerente (mesmo que esse gerente fosse considerado muito bom pelo seu ex-chefe), que foi moldada para justificar a sua demissão, que ocorreu no mesmo dia da dissimulada avaliação. Então, o novo chefe colocou um “amigo” na posição que esse gerente ocupava. Vê-se, claramente, que as intrigas feitas pelos maus colaboradores serviram perfeitamente aos interesses espúrios da nova chefia.

Moral da história

A moral da história é: não mantenha pessoas de mau-caráter em sua equipe! Pessoas de mau-caráter podem fazer alianças com outras pessoas de mau-caráter, e dar mais força ainda ao prejuízo e estragos que causam dentro de uma Organização!

Como eu sei sobre tantos detalhes desta história? Porque esse gerente era eu. Então, faça a coisa certa, no momento certo! Corte o mal pela raiz!

4 Razões para Você Banir um Mau-caráter da sua Organização

Problemas Legais – Um mau-caráter pode facilmente encrencar a sua Organização, participando de negociatas, corrompendo, ou sendo corrompido, e passando pela ética e pela legislação com desenvoltura, sem se preocupar com as consequências. Um mau-caráter na Organização é como uma bomba relógio, armada para explodir.

Moral Organizacional Baixo – Ninguém é cego dentro da empresa, as pessoas veem a atitude dos outros, observam seu comportamento, e um mau-caráter espalha sempre maus exemplos. Atitudes ruins quando são toleradas dentro de uma Organização, simplesmente deterioram o moral, impactando negativamente nos outros. Uma Organização que quer atingir bons resultados, precisa de energia, precisa de moral elevado.

Pessoas Tóxicas – Da mesma forma que o mau-caráter contribui para o moral baixo nas pessoas de bem, ele age como um estímulo aos outros maus-caracteres, podendo ser um formador de pessoas tóxicas (que são aquelas que humilham, ridicularizam, ofendem, perturbam, desrespeitam, ou incomodam outras pessoas no local de trabalho) que vão, onde agirem, reduzir a eficiência e a atenção das pessoas.

Não Atingimento de Resultados – Todos os itens anteriores afetam e impactam nos resultados da Organização, principalmente se o mau-caráter estiver ocupando um cargo de gestão. No final das contas, todas as más influências vão se somando, desestimulando os colaboradores, derrubando os esforços da Organização, e destruindo a Cultura da Organização.

Limpe a sua Organização, faça uma faxina moral, e estabeleça como alicerce da Cultura Organizacional os valores morais. Corte o mal pela raiz!


Autor: Rodrigo Vargas – Engenheiro mecânico (UFPR), pós-graduado em engenharia de man. mecânica (UFPR), pós-graduado em gestão empresarial (FGV), com mais de 17 anos de experiência em ambiente industrial, sendo mais de 13 anos ocupando cargos de gestão na indústria automotiva e eletroeletrônica.


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