O Princípio de Peter e Como Evitar as Promoções Fracassadas

O Princípio de Peter (Peter Principle) é um conceito que diz que, num sistema hierárquico, todo empregado tende a ser promovido até que atinja o seu nível de incompetência, e foi criado pelo educador canadense Laurence J. Peter, um dos autores da publicação intitulada The Peter Principle: Why Things Always Go Wrong (O Princípio de Peter: Porque É que As Coisas Andam Sempre Mal), publicado em 1969, em coautoria com Raymond Hull.

Segundo esse princípio, nas Organizações em geral, as promoções são baseadas no nível de competência que o colaborador demonstra na posição atual, e não na competência requerida para a nova função. Dessa forma, o empregado vai assumindo novas funções (em posições hierárquicas superiores), e sendo promovido sempre baseado no desempenho atual (como um prêmio), até que atinja um patamar onde não tenha mais bons resultados, passando a ser incompetente, e ficando estagnado nessa posição.

Alguns Estudos

Um interessante estudo intitulado “As Promoções e o Princípio de Peter” (Promotions and the Peter Principle), conduzido por Alan Benson (Universidade de Minesota), Danielle Li (MIT), and Kelly Shue (Universidade de Yale), publicado em 2018, analisou o desempenho de vendedores de 214 empresas e encontrou consistentes evidências do Princípio de Peter, ao perceber que o desempenho dos vendedores na posição atual foi o fator preponderante na hora da promoção, em detrimento das competências de gestão.

Outro estudo chamado “As Coisas Podem Ficar Pior? Uma Análise Empírica do Princípio de Peter” (Things Can Only get Worse? An Empirical Examination of the Peter Principle), de Tim Barmby, Barbara Eberth e Ada Ma, da Universidade de Aberdeen (Escócia), publicado em 2006, analisou uma grande empresa do setor financeiro durante dois anos e concluiu que as promoções durante esse período sugerem a observação do Princípio de Peter.

De maneira análoga, vemos isso acontecer no serviço público, onde pessoas assumem os postos nas empresas do governo, ministérios e repartições públicas, não pela sua competência, mas, simplesmente, por indicação política. Da mesma forma, isso causa prejuízos incalculáveis.

O Que Fazer?

Podemos encontrar o Princípio de Peter ocorrendo por aí, em algumas empresas, e talvez você já tenha testemunhado alguma situação (é o caso do excelente vendedor que passa a ser um gerente incompetente, ou do ótimo especialista que se transforma no péssimo gestor), e, ainda, em determinados setores mais que outros. Mas, para evitar ser vítima do Princípio de Peter, e das nefastas consequências de ter gestores atuando sem as devidas competências de gestão, a Organização deve garantir que o colaborador a ser promovido tenha as competências necessárias para assumir o novo cargo. A promoção não deve ser encarada como um presente que se dá a quem desempenha bem suas funções, mas sim, deve ser encarada como uma oportunidade  para os colaboradores da Organização que têm as competências básicas requeridas para uma determinada vaga. Portanto, um bom processo de seleção, com competências e requisitos claros pode evitar que a Organização seja vítima do malfadado efeito do Princípio de Peter.


Autor: Rodrigo Vargas – Engenheiro mecânico (UFPR), pós-graduado em engenharia de man. mecânica (UFPR), pós-graduado em gestão empresarial (FGV), com mais de 17 anos de experiência em ambiente industrial, sendo mais de 13 anos ocupando cargos de gestão na indústria automotiva e eletroeletrônica.


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