Os Mandamentos da Qualidade

Os Mandamentos da Qualidade

A minha experiência de mais de 13 anos de gestão na indústria me mostrou que existem alguns mandamentos que devem ser obedecidos dentro de uma Organização, a fim de que consigamos obter a tão desejada (e mais do que nunca, necessária) qualidade. Vou enumerá-los, a seguir:

#1 – Lideranças Comprometidas

Não conheço nenhum trabalho voltado à qualidade que resista a lideranças que não tem, verdadeiramente, compromisso com a qualidade. Veja o caso da Volkswagen: Em 2015, o governo Americano acusou a Volkswagen de fraudar resultados de testes de emissões em motores a diesel. Foi descoberto um software incorporado ao módulo central do veículo que, percebendo o carro em teste, alterava as condições de funcionamento do motor, para emitir menos emissões. Segundo a própria Volkswagen, esse software estava embarcado em 11 milhões de veículos. O resultado foi a renúncia do então presidente mundial, Martin Winterkorn, poucos dias depois. Mas isso não é nada comparado à perda de prestígio da marca, e às multas recebidas (em 2017 a VW fechou um acordo nos EUA para pagamento de 4,3 bilhões de dólares, e em 2018, foi multada, na Alemanha, em 1 bilhão de Euros). Sem dúvida alguma, o investimento no desenvolvimento de um motor menos poluente teria sido muito mais barato, e muito mais digno. Por isso, para bons resultados, as lideranças devem ser, realmente, comprometidas com a qualidade.

#2 – Treinamento Contínuo

É de suma importância treinar a equipe de colaboradores para buscar a excelência e a qualidade superior. Quando falamos de treinamento, nos referimos aos treinamentos on the job, aos treinamentos sobre os processos de manufatura, mas também aos treinamentos teórico-práticos sobre ferramentas e metodologias da qualidade, pois isso aumenta a consciência da qualidade e induz o comprometimento.

#3 – Estabelecimento de um Sistema de Gestão da Qualidade

Todas as ações da qualidade dentro da Organização devem ser gerenciadas e mantidas através de um sistema de gestão, desenhado de forma objetiva, devendo ser tão simples quanto possível, e tão elaborado quanto necessário. Um dos sistemas de gestão da qualidade (SGQ) mais utilizados é o proposto pela norma ISO 9001, o problema é que, infelizmente, muitas Organizações buscar essa certificação apenas vislumbrando  questão comercial (pelo fato de poder dizer que têm certificação), ou para cumprir a exigência de um cliente, e, assim, a implantação é desastrosa e, praticamente, inútil. Seja qual for o SGQ escolhido, a sua implantação deve ser inteligente, buscando, efetivamente, obter ganhos em qualidade.

#4 – Utilização de Ferramentas da Qualidade e Metodologias Estatísticas

São várias as ferramentas de qualidade que podemos (e devemos) utilizar na Organização, e que irão nos ajudar a evitar, tratar, ou resolver problemas relacionados com a qualidade, entre elas podemos citar: gráficos de Pareto, diagramas de causa e efeito, diagramas de dispersão, gráficos de controle (CEP), folhas de verificação, MASP, FMEA, etc. Além disso, a utilização de análise estatística como, por exemplo, a correlação, também pode servir como uma poderosa ajuda nas questões da qualidade. A utilização destas ferramentas e metodologias deve ser orgânica e natural, ou seja, um recurso de dia-a-dia, em que se lança mão na medida da necessidade, e com todos os envolvidos devidamente treinados no seu uso e entendimento (todos têm que entender a função e funcionamento dessas ferramentas, inclusive os operadores e montadores do chão de fábrica, pois ninguém poderá dizer: “mas o que é isso?”, ou “o que ele está fazendo?”) para que surtam os bons resultados.

#5 – Melhoria Contínua de Produtos e Processos

 O produto (e seu processo) deve ser melhorado, não apenas para reduzir custo, como pensam diretores bitolados, mas também, com o objetivo de garantir a qualidade desejada pelo público ao qual esse produto se enquadra. Portanto, melhorar tanto o produto, quanto os processos relacionados a ele, deve ser um trabalho incessante dentro da Organização, pois isso caminha na mesma direção da qualidade.

#6 – Grupo de Colaboradores Comprometidos

Imagine a seguinte situação: dois montadores numa linha de produção, os dois têm o mesmo salário, mas um deles demonstra cuidado e atenção na montagem do produto e um interesse maior em aprender, o outro, não. O primeiro é comprometido, o segundo, não.  Eu já presenciei isso várias vezes, e, você, provavelmente já tenha percebido também, esse tipo de situação. Esse tipo de situação é danosa por dois motivos simples: o primeiro porque o funcionário não comprometido é um risco para a qualidade, e o segundo, porque ele pode contaminar, ou desestimular os demais que são comprometidos. Pois bem, os gestores devem procurar selecionar adequadamente suas equipes, selecionando e substituindo quem for preciso, na medida da necessidade, com o objetivo de criar uma equipe de colaboradores comprometidos com a qualidade.

#7 – Exigência de Padrões de Qualidade aos Fornecedores

Deve-se estender os padrões de qualidade exigidos pelo cliente a toda a cadeia de fornecedores, caso contrário, todo um esforço da Organização em prol da qualidade pode sucumbir por conta de um único fornecedor despreparado. Os fornecedores devem fazer parte do SGQ da Organização de modo que se possa obter da cadeia de suprimentos o nível de qualidade desejado. Lembre-se de que a corrente é tão forte quanto seu elo mais fraco!

Obviamente, esses não são os únicos pontos a se considerar na busca da qualidade, mas são aqueles que eu, na minha longa jornada como gerente industrial, considero como sendo os mais importantes!


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Autor: Rodrigo Vargas – Engenheiro mecânico (UFPR), pós-graduado em engenharia de man. mecânica (UFPR), pós-graduado em gestão empresarial (FGV), com mais de 17 anos de experiência em ambiente industrial, sendo mais de 13 anos ocupando cargos de gestão na indústria automotiva e eletroeletrônica; compartilhando conhecimento sobre gestão, há mais de 10 anos, através do portal GestaoIndustrial.com.


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