
Vamos conhecer o poka-yoke: o que é, como funciona, classificação e alguns exemplos!
O que é
Poka-yoke significa “à prova de erros” (“mistake-proofing”, em inglês). E essa é a correspondência do significado:
POKA → ERRO
YOKE → EVITAR (À PROVA DE)
Uma curiosidade é que o nome, inicialmente, era baka-yoke, que significa “à prova de bobos”, mas foi posteriormente alterado por causa da conotação desonrosa e ofensiva do termo.
Como Funciona
O poka-yoke é um sistema que impossibilita a ocorrência de um erro, ou que alerta imediatamente depois dele ter ocorrido. Foi desenvolvido na Toyota, pelo engenheiro Shigeo Shingo, e em 1962, foi aplicado pela primeira vez na Toyota do Japão. O poka-yoke é parte do jidoka, que é um dos dois pilares do lean.
Vamos ver a classificação (os tipos) de sistemas poka-yoke, com base no livro do Shigeo Shingo, “Zero Quality Control”, onde ele descreve o poka-yoke.
Classificação
Shingo classifica os sistemas poka-yoke de acordo com o propósito, com função regulagem; e de acordo com a técnica utilizada, com função detecção.
A função de regulagem pode ser:
- de método de controle, quando impede que o defeito ocorra, ou, quando ocorre, impede sua propagação, parando a máquina ou interrompendo a operação.
- E, ainda, método de advertência, em que, quando ocorrem defeitos, é emitido um sinal luminoso ou sonoro, de modo que chame atenção do operador, para que este intervenha no processo.
A função detecção pode ser:
Pode ser através do método de contato, quando a detecção de defeitos é feita através da verificação de características físicas (como formato, posição, dimensão, temperatura, etc.), podendo haver contato ou podendo haver a utilização de sensores.
Ou pelo método de valor fixo (ou de conjunto), a detecção de defeitos é feita através da verificação do número de repetições que uma determinada operação exige.
Ou ainda, pelo método de etapas, quando a detecção dos defeitos é feita através da verificação de uma determinada sequência de operações, ou de movimentos.

Exemplos
Um exemplo do método de contato (clássico – e que eu já utilizei bastante) é o do pino guia. Nesse exemplo, veja que é possível montar a junta de forma invertida (pois ela tem o lado certo que deve ficar para cima). Então, utilizamos um pino guia, que impede que a junta seja montada na posição incorreta.

Nessa mesma situação, vamos ver o uso do poka-yoke de valor fixo. Pense que esse operador já havia esquecido de montar um dos 8 parafusos (imagine que na indústria eletrônica é comum a utilização de conjuntos muito maiores de parafusos). Então, passou-se a fornecer o conjunto dos 8 parafusos num pequeno recipiente, de modo que o operador teria que utilizar os 8 parafusos entregues, evitando que ele esquecesse algum.

Agora, vamos ver um exemplo do método das etapas. Veja que os apertos dos parafusos, nessa montagem, devem ser feitos em uma sequência específica, para o perfeito assentamento da junta. Então, inserimos uma máquina nesse processo, de modo que ela faça o aperto na sequência especificada (programada), não havendo possibilidade de erro.

Claro que tudo é uma questão de custo/benefício; e os 3 exemplos anteriores são de método de controle, pois impedem a ocorrência do defeito.
E como seria um método de advertência? Imagine uma linha de produção de garrafas dágua, em que existem dois sensores que verificam o nível do líquido. Esse é um exemplo de método de advertência e de contato. Ah! Mas não há contato. Sim, mas há um sensor.

Bom Senso
Jeffrey Liker e David Meier, em seu best-seller, “O Modelo Toyota”, alertam para não se exceder com o poka-yoke, e aconselham atentar para outras possíveis soluções, como: padronização de processo, substituição de peças ou ferramentas inadequadas, correção de erros de informação, entre outros. Eles dizem que sempre pode haver mais de uma maneira de corrigir erros. Portanto, como em tudo, bom senso na utilização do poka-yoke!
Os autores alertam, ainda, para que se procure fazer sistemas poka-yokes que sejam simples e eficazes (e, claro, com o menor custo possível), para não haver rejeição do operador ou do supervisor. Eles contam o exemplo de uma operação que levava 15 segundos, mas que precisava de 25 segundos ou mais para o funcionamento do poka-yoke! Um exemplo do que não se deve fazer!
Com o passar do tempo, desde a década de 1960 até hoje, o poka-yoke foi cada vez mais sendo utilizado, e não apenas nas linhas de produção, mas, também, nos próprios produtos.
Hoje, é comum em equipamentos do dia a dia, ter o conceito do poka-yoke já incorporado ao seu design. Veja essa montagem, é um chip no alojamento de um smartphone.

Não há como errar, não é mesmo? E a conexão USB? Pelo seu formato, só há uma posição possível para o encaixe da conexão! Em nenhum dos dois casos, você conseguirá montar invertido. É o poka-yoke! Você viu que, bem utilizado, o poka-yoke é uma poderosa ferramenta da Qualidade!
