O Efeito Pigmalião e o Trabalho

O Efeito Pigmalião e o Trabalho

Pigmalião é um personagem de um dos livros da obra de mitologia Metamorfoses, do poeta da Roma antiga, Ovídio. Pigmalião era um rei de Chipre e escultor, e, desapontado com as mulheres, havia decidido ser celibatário. Porém, após ter esculpido uma estátua de uma mulher que considerava ideal, acabou por apaixonar-se por ela, desejando que ela tivesse vida.  A deusa Afrodite, então, atendeu ao seu pedido. Na figura anterior, pode-se ver a obra do artista francês, Étienne Maurice Falconet, retratando Pigmalião e a estátua.

O efeito Pigmalião é o fenômeno em que, uma maior expectativa em relação ao desempenho de alguém, leva-o, efetivamente, a um melhor desempenho.

O efeito Pigmalião é resultado de um famoso experimento conduzido, em 1963, pelo professor e psicólogo de Harvard, Robert Rosenthal, e pela diretora de uma escola de ensino fundamental de São Franciso, Lenore Jacobson. O estudo começou com um discreto teste de QI em todos os alunos da escola, porém, os resultados não foram informados aos professores, nem aos alunos. Aleatoriamente, foram escolhidos nomes de cerca de 20% dos alunos da escola, e foi dito aos professores que esses alunos eram excepcionais, e que, muito provavelmente, teriam resultados significativos, e muito acima da média, naquele ano. Novamente, ao final do estudo, os pesquisadores testaram todos os alunos com o mesmo teste de QI utilizado no início. Os alunos, em geral, apresentaram uma melhora no QI, porém, os alunos ditos excepcionais aos seus professores (ainda que a escolha tenha sido aleatória) apresentaram ganhos estatisticamente superiores. Isso levou à conclusão de que as expectativas dos professores em relação ao desempenho de determinados alunos, puderam, efetivamente, influenciar esses alunos a ponto de melhorar seu desempenho.

Daí, em alusão a Pigmalião, que tanto desejou que sua estátua se torna-se viva, até que ela se transformou em mulher, deu-se o nome de Efeito Pigmalião, ao fato dos alunos melhorarem seu desempenho, influenciados pelo crença dos professores, de que eles eram especiais.

O Efeito Pigmalião

Um estudo chamado O Poder do Efeito Pigmalião (The Power of the Pygmalion Effect), conduzido por Ulrich Boser (associado sênior do Centro Americano para o Progresso), Megan Wilhelm (estudante de graduação em sociologia na Universidade de Maryland), e Robert Hanna (analista sênior do Centro Americano para o Progresso), publicado em 2014, também concluiu que maiores expectativas dos professores, favoreceram o sucesso dos alunos.

O Efeito Pigmalião no Ambiente de Trabalho

Se o efeito Pigmalião funciona no ambiente escolar, pode-se supor que funcione em outros ambientes, inclusive, o ambiente de trabalho. De fato, em seu artigo Pigmalião em Gestão (Pigmalion in Management), publicado na Harvard Business Review, em 2003, o consultor americano de gestão, J. Sterling Livingston, relata, entre outros, o caso em que ele estudou a eficácia dos gerentes de agências bancárias do Banco West Coast, com mais de 500 filiais. Os gerentes que tiveram sua autoridade de empréstimo reduzida por causa das altas taxas de perda, tornaram-se, progressivamente, menos eficazes. Para evitar mais perda de autoridade, eles começaram a fazer apenas empréstimos “seguros”. Essa ação resultou em perdas de negócios para bancos concorrentes, e um declínio relativo em depósitos e lucros em suas agências. Assim, em resposta às baixas expectativas de seus supervisores, que haviam reduzido sua autoridade creditícia, eles se comportaram de uma maneira que levou a maiores perdas de crédito, e as expectativas de seus supervisores se tornaram profecias autorrealizáveis.

O guru das relações humanas, Dale Carnegie, escreveu no seu livro Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, best seller que já vendeu mais de 15 milhões de cópias, que, um dos princípios para se tornar um bom líder é atribuir uma boa reputação a outra pessoa, para que ela se interesse em mantê-la.

Portanto, trate as pessoas da maneira como você gostaria que elas se comportassem, estimule-as, demonstre apoiar e acreditar (realmente) na competência delas. Fazendo uma analogia com um saltador, aumente a altura do sarrafo, para desafiar a pessoas a alcançar uma marca superior, e atingir objetivos maiores, mas, tenha o cuidado de não colocar o sarrafo muito acima da marca atual da pessoa, pois isso pode ter um efeito contrário, desestimulando e frustrando. O estímulo deve ser sempre dentro da razoabilidade, e, assim, os bons resultados podem aparecer!


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Autor: Rodrigo Vargas – Engenheiro mecânico (UFPR), pós-graduado em engenharia de man. mecânica (UFPR), pós-graduado em gestão empresarial (FGV), com mais de 17 anos de experiência em ambiente industrial, sendo mais de 13 anos ocupando cargos de gestão na indústria automotiva e eletroeletrônica; compartilhando conhecimento sobre gestão, há mais de 10 anos, através do portal GestaoIndustrial.com.


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