O Efeito Hawthorne e a Produtividade nas Organizações

Em 1924, o Conselho Nacional de Pesquisa dos Estados Unidos (National Research Council) iniciou, na fábrica de Hawthorne, da Western Electric Company, em Chicago, uma série de experimentos para verificar o quanto a iluminação afetava a produtividade. Verificou-se que a cada alteração na iluminação, houve melhora na produtividade, porém, ao se retornar às condições de iluminação iniciais, a produtividade continuou alta, indicando que a atenção dada ao ambiente de trabalho era o fator preponderante, e não a luminosidade em si. Ao longo dos anos, os estudos e experimentos em Hawthorne, que se prolongaram até 1932, ampliaram bastante o foco inicial, abordando também aspectos de duração do trabalho, intervalos, incentivos, e outras questões relevantes para os colaboradores, tendo, inclusive a participação de Elton Mayo (psicólogo, sociólogo, pesquisador e professor da Harvard Business School), e tornando-se um marco no estudo de produtividade no trabalho, ao lado dos estudos de Frederick Taylor – Os Princípios da Administração Científica no Trabalho, publicados em 1911 (enquanto Taylor focou mais o indivíduo, os estudos em Hawthorne focaram mais o grupo, e os aspectos sociais envolvidos).

Dos estudos, surgiu o conceito de efeito Hawthorne:O efeito Hawthorne é a mudança de comportamento que os indivíduos têm pelo fato de saberem que estão sendo foco de atenção.Existem diferentes versões (não há uma versão oficial) em relação ao efeito Hawthorne, ainda que girem, obviamente, em torno do mesmo ponto. Segundo o dicionário britânico Oxford: “O efeito Hawthorne é a mudança de comportamento que os indivíduos em estudo têm pelo fato de saberem que estão sendo observados“, em tradução livre do texto original em inglês: “The alteration of behaviour by the subjects of a study due to their awareness of being observed“. O dicionário americano Merrien-Webster diz: “O efeito Hawthorne é o estímulo ao resultado e à realização que advém do simples fato de estar sob observação”, em tradução livre do texto original em inglês: “The stimulation to output or accomplishment that results from the mere fact of being under observation”. Além disso, os vários autores que estudaram o tema, produziram outras versões, ainda que próximas. No trabalho de Ryan Olson, Jessica Verley, Lindsey Santos, e Coresta Salas (Universidade de Santa Clara – 2004), publicado na Sociedade de Psicologia Industrial e Organizacional (Society for Industrial and Organizational Psichology), podemos ver uma tabela com 13 variações da definição do efeito Hawthorne, referente a vários autores.

Ainda que seja uma das mais famosas e conhecidas pesquisas sobre produtividade no trabalho, pioneira no aspecto sociológico, recebe algumas críticas pela forma de aplicação e validação dos testes, pelo que resulta em questionamentos sobre seus resultados, como feito no artigo de Steven D. Levitt e John A. List, de 2011, intitulado “Existia Mesmo um Efeito Hawthorne na Fábrica de Hawthorne? Uma Análise dos Experimentos Originais de Iluminação” (Was There Really a Hawthorne Effect at the Hawthorne Plant? An Analysis of the Original Illumination Experiments).

Segundo a Enciclopédia Britânica, os principais achados dos estudos em Hawthorne são:

  1. A produtividade é fortemente influenciada pelos fatores sociais, mais do que simplesmente a competência do trabalhador;
  2. As relações informais entre os trabalhadores influenciam o desempenho e a produtividade. A forma com que a chefia trata o subordinado é muito relevante para o resultado;
  3. Os grupos de trabalho são regidos por quotas de trabalho informais, criando barreiras para ultrapassar o que seria o “trabalho justo para um dia”;
  4. O ambiente de trabalho é um sistema social, onde os fatores sociais e psicológicos são mais importantes para o atingimento dos resultados do que benefícios oferecidos, ou as horas trabalhadas.

Apesar da controversia, em que se discutem sua metodologia e resultados, os estudos de Hawthorne são um dos mais importantes na área social, não apenas pelo pioneirismo, mas pela influencia que tem até os dias atuais.


Autor: Rodrigo Vargas – Engenheiro mecânico (UFPR), pós-graduado em engenharia de man. mecânica (UFPR), pós-graduado em gestão empresarial (FGV), com mais de 17 anos de experiência em ambiente industrial, sendo mais de 13 anos ocupando cargos de gestão na indústria automotiva e eletroeletrônica.


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