A 4ª Revolução Industrial

A Indústria 4.0

A 4ª Revolução Industrial (popularizada com o termo Indústria 4.0) é o nome que se dá à nova fase de industrialização que estamos vivendo hoje, com robôs industriais, equipamentos conectados à internet, inteligência artificial, big data, informações em nuvem, entre outros avanços da indústria. Mas, para melhor compreender as suas características, vamos mergulhar um pouco na história e acompanhar o ciclo evolutivo desde a primeira revolução industrial, que começou na Inglaterra do século XVIII.

Primeira Revolução Industrial

Quando falamos em datas de alguns eventos históricos, algumas discordâncias podem aparecer, como é o caso das datas de início das revoluções industriais, ou do nascimento das gerações x, y e z. Algumas fontes indicam o início da 1ª Revolução Industrial em 1760, na Inglaterra (Enciclopédia Britânica e Wikipedia), quando o escocês James Watt aperfeiçoa o uso da máquina à vapor que é, sem dúvida, um dos grandes impulsionadores da indústria da época (inicialmente utilizada na mineração). Em 1764, o inglês James Hargreaves cria uma máquina de fiar que era capaz de fazer o trabalho de oito pessoas, e que foi a chamada spinning jenny. Outra característica da primeira revolução industrial foi a mecanização da produção, substituindo o trabalho puramente manual, e, nesse caso, um dos usos pioneiros se deve ao inglês Edmund Cartwright que, em 1785 criou o primeiro tear mecanizado. Resumindo: podemos dizer que as máquinas à vapor, as máquinas de fiação otimizadas, e os teares mecanizados foram os grandes impulsionadores da primeira Revolução Industrial.

Segunda Revolução Industrial

Podemos dizer que o início da segunda Revolução Industrial se fez sentir inicialmente nos Estados Unidos, marcado pela primeira linha de montagem em larga escala num abatedouro em Cincinnati, estado de Ohio, em 1870. Henry Ford, que fundou em 1903 o que se tornaria uma das maiores companhias automobilística do mundo, introduziu em 1913 a linha de montagem em que o chassi se deslocava, e não mais os montadores (no embalo dos estudos de Taylor  relativos à administração científica do trabalho). Quanto à eletricidade, em 1879, Thomas Edison já havia criado uma lâmpada de bulbo incandescente capaz de iluminar por até 40 horas sem queimar, e lâmpadas incandescentes foram pela primeira vez utilizadas na iluminação pública em Cleveland (Ohio), Paris, e Newcastle (UK). Três anos depois, começou a distribuição comercial de energia elétrica. Resumindo: podemos dizer que a produção em massa através da configuração de uma linha de montagem, a divisão do trabalho em etapas, e a utilização da energia elétrica na indústria foram os grandes impulsionadores da segunda Revolução Industrial.

Terceira Revolução Industrial

A terceira Revolução Industrial, também chamada de Revolução Digital, foi caracterizada pelo uso da eletrônica e pela automação industrial. Podemos caracterizar seu início em 1969, com o uso do primeiro controlador lógico programável (CLP) na indústria da GM, construído pela Bedford Associates, que depois seria Modicon. Depois disso, os circuitos lógicos digitais se proliferaram, automatizando sobremaneira a produção industrial. A eletrônica, através dos transístores, e depois, circuitos integrados, abriu um novo leque de possibilidades para a indústria, não apenas na automação de processos, mas também na criação de novos produtos. Mais tarde, a partir da década de 70, o surgimento de computadores de uso comercial permitiu o uso de programação e uma gama infindável de oportunidades na indústria começou a ser delineada. A partir de 1989, com a criação da internet, a comunicação definitivamente transformou-se, passou a ser instantânea, o emails encurtaram distâncias, e a telefonia mudou com o advento dos celulares e smartphones. A terceira Revolução Industrial deu início a uma grande migração de produtos analógicos para digitais: máquinas de escrever foram substituídas pelos computadores (que se tornaram verdadeiras estações de trabalho), máquinas fotográficas de filme foram substituídas por máquinas fotográficas digitais, fitas cassete e VHS foram substituídas por CDs e DVDs e depois por arquivos digitais. Resumindo: a automação, a internet, a programação e a digitalização foram as grandes características impulsionadores da terceira Revolução Industrial.

A 4ª Revolução Industrial

A quarta Revolução Industrial está acontecendo nos dias de hoje, bem diante de nossos olhos. Curiosamente, enquanto as duas primeiras revoluções industriais se caracterizaram pelo surgimento de novas formas de energia (vapor e eletricidade, respectivamente), a terceira revolução se caracterizou pela digitalização, pela transformação do analógico em digital; e agora, na quarta, pelo incremento da inteligência no ambiente digital. No afã da criação de novos termos, surgiu também a Qualidade 4.0, que nada mais é do que a Qualidade inserida no contexto da Indústria 4.0, com suas novas tecnologias.

A Indústria 4.0 tem como objetivo conectar todos os meios de produção para possibilitar sua comunicação e interação em tempo real utilizando, principalmente, tecnologias como IoT (internet das coisas – rede de objetos físicos incorporados por eletrônica que permite que esses objetos coletem dados e troquem informações entre si) e cloud computing (rede de servidores remotos armazenando, gerenciando e processando dados). As aplicações na indústria podem ser vistas em todas as áreas, mas, sem dúvida, as áreas de manutenção (prevenção de quebra), logística (planejamento de estoques), produção (coordenação dos processos e aumento da eficiência) e marqueting (análise em tempo real e tomada de decisões) têm enormes ganhos. Outro aspecto inovador está relacionado com a impressão 3D que já permitiu aos astronautas da estação espacial imprimirem peças de reposição, reduzindo a necessidade de estoques de contingência, algo impensável algumas décadas atrás. A impressão 3D poderá reprojetar a forma como compramos ou fornecemos produtos, e poderá se estender aos mais variados segmentos.

A inteligência artificial (I.A. ou A.I. – sigla em inglês) está proporcionando que máquinas executem tarefas que, antes, só eram possíveis serem  realizadas pelo ser humano, e uma das mais impressionantes características está no fato de que estas máquinas têm a capacidade de aprender por si mesmas, em um determinado grau e dentro do escopo para o qual foram projetadas. Entre suas vantagens, podemos destacar a redução de erros, confiabilidade e aumento da qualidade, pois as máquinas não cansam e não perdem a atenção como o ser humano, e podem substituí-lo com méritos em inúmeras atividades. Aos críticos da nova tecnologia, pelo fato dela ser um potencial eliminador de empregos, devemos lembrar que os robôs poderão substituir o ser humano nas tarefas mais banais, repetitivas ou perigosas, porém, haverá necessidade do ser humano projetando, construindo e mantendo esses robôs; de todo modo, o real impacto só o tempo dirá. Assim como a tecnologia elimina alguns empregos, ela também cria alguns novos, inclusive novas profissões, como: webmaster, analista de mídia social, analista de marketing digital, analista de big data, desenvolvedor de games, engenheiro de software, cientista da computação, especialista em SEO, especialista em robótica, programador de I.A., produtor de conteúdo digital, piloto de drones, impressor 3D, engenheiro de nanorobótica, etc…

As Revoluções Indutrias

A revolução tecnológica está trazendo também a nanotecnologia (tecnologia que estuda e manipula matéria numa escala atômica ou molecular), computação quântica (capaz de executar cálculos incrivelmente mais velozes que os computadores atuais, utilizando-se de princípios da física quântica como a sobreposição e interferência), computação de DNA (utiliza a biologia molecular do DNA ao invés do silício), veículos autônomos (capazes de deslocamento sem a atuação direta de um condutor), dispositivos vestíveis (capazes de executarem várias funções inteligentes, incorporados ao ser humano) entre outras inovações e, com o passar do tempo, muitas aplicações práticas tomarão forma  no dia-a-dia das pessoas, não apenas na indústria.


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Autor: Rodrigo Vargas – Engenheiro mecânico (UFPR), pós-graduado em engenharia de man. mecânica (UFPR), pós-graduado em gestão empresarial (FGV), com mais de 17 anos de experiência em ambiente industrial, sendo mais de 13 anos ocupando cargos de gestão na indústria automotiva e eletroeletrônica; compartilhando conhecimento sobre gestão, há mais de 10 anos, através do portal GestaoIndustrial.com.


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