Eficiência dos Processos

Como um gestor industrial pode administrar com eficácia todos os processos?

 

Introdução

Se queremos priorizar a qualidade e produtividade de nossos produtos e serviços, não podemos esquecer de que os processos que gerarão estes mesmos produtos e serviços também tem que ter qualidade.

Lembre-se das palavras de Aristótales: "A excelência é uma arte conquistada pelo treino e hábito. Nós somos o que fazemos repetidamente. Excelência, então, não é um ato, mas um hábito.” 

"Indicador" é a palavra-chave. Assim como monitoramos o velocímetro para acompanhar a velocidade do veículo que estamos dirigindo, também um gestor industrial deve focar no acompanhamento de indicadores de desempenho para acompanhar a eficiência dos processos industriais. Tenha em mente que indicadores de desempenho associados a esforços coordenados para melhoria dos processos conduz a resultados melhores e mais duradouros. Veremos isso adiante em detalhes.

 

Existem indicadores de vários níveis, alguns serão monitorados apenas pelo gerente de produção (ou supervisor, ou coordenador, caso a empresa seja menor e o supervisor ou coordenador responda diretamente ao gerente industrial, não havendo, portanto, o cargo de gerente de produção), alguns outros, mais específicos, devem ser monitorados pelo gerente industrial também. Funciona igual para os outros gestores das outras áreas (qualidade, engenharia, logística, manutenção e compras). Claro que varia de empresa para empresa, de acordo com as metas estratégicas de cada uma e de acordo, também, com a sua própria conjuntura.

 

Indicadores de Desempenho

E quais são esses indicadores que exprimem a eficiência ou o desempenho dos diversos processos de uma indústria?

O gestor logístico deve prover os indicadores de desempenho de entrega ao cliente, o desempenho de entrega do fornecedor, o giro de estoques, a acurácia de estoques e os custos logísticos.

O gestor de engenharia deve prover a acurácia das listas de material e das instruções de trabalho, entre outros.

O gestor da qualidade deve prover o FTC e os indicadores de capabilidade dos principais processos de manufatura, entre outros.

O gestor de produção deve prover o índice de desempenho da produção, parada de linha e o índice de ocupação da linha.

O gestor da manutenção deve prover o índice de disponibilidade de equipamento e o OEE, entre outros.

O gestor de compras deve fornecer o índice global de qualidade dos fornecedores e o ciclo financeiro.

Além de fornecer os índices (com as metas devidamente acordadas), mensalmente planos de ação devem ser deflagrados sempre que alguma das metas não forem atingidas. Um QFD (desdobramento da função qualidade) pode ser usado por cada gestor para, uma vez estabelecido com o gestor industrial as metas de sua área, encontrar quais sejam exatamente os indicadores de segundo nível que vão impactar nos de primeiro. Por exemplo, para que o gestor logístico persiga a meta de desempenho de entrega ao cliente, outros indicadores como: alterações de programação, pontualidade na divulgação da programação e desempenho do plano de produção, podem ser medidos também. Veja abaixo na tabela: os indicadores em azul e negrito são os de primeiro nível, ou seja, serão aqueles observados bem de perto pelo gestor industrial. Os outros, em preto, são aqueles que cada gestor de área de deverá acompanhar de perto e implementar ações corretivas sempre que necessário, em busca do atingimento das metas. Por último, é bom lembrar que o painel abaixo não pretende ser definitivo, nem suficiente, ou seja, poderão haver casos em que você deva lançar mão de outros índices. O que importa, na verdade, é que você utilize os índices que estejam alinhados com a estratégia da Organização e que melhor lhe permita monitorar o resultado de sua área.

 

 

INDICADORES DE DESEMPENHO DA ÁREA INDUSTRIAL

DEPTO

ÁREA

ÍNDICE

FÓRMULA

UNIDADE

Todas

Todas

Horas Extras

total de horas extras

horas

Todas

Todas

Horas Extras

horas extras / total de horas alocadas na área

%

Todas

Todas

Custo de Horas Extras

total de custo de horas extras

R$

LOG

PCP

Alterações de Programação

número de alterações / n. itens program.

%

LOG

PCP

Pontualidade da Entrega da Programação da Produção

dias de atraso(até o dia 20 do mês)

dias

LOG

PCP

Desempenho do Plano de Produção

média mensal de: ( produção real por família na semana / produção planejada por família na semana)

%

LOG

PCP

Desempenho de Entrega ao Cliente

entregas ok na data/entregas programadas

%

LOG

PCM

Desempenho de Entrega de Fornecedor (IE)

entregas ok na data/entregas programadas

%

LOG

PCM

Dias de Atraso na Entrega do Fornecedor

?(dia da entrega - dia programado)

dias

LOG

PCM

Alcance do Estoque de Componentes

saldo em itens / capacidade

dias

LOG

PCM

Giro de Estoque

(consumo em valor/saldo médio em valor)*12

giros anuais

LOG

PCM

Valor de Estoque de Componentes

saldo de final de mês

R$

LOG

ALM

Acurácia de Estoque

itens corretos/itens verificados

%

LOG

ALM

Dias de Atraso na Entrega do Produto Acabado

dia da entrega - dia programado

dias

LOG

ALM

Custo de Armazenagem p/ m²

custo de armazenagem / área total

R$

LOG

ALM

Custo Total de Armazenagem

total do custo de armazenagem

R$

LOG

TRA

Desempenho da Transportadora do Produto Acabado

entregas na data/entregas programadas

%

LOG

TRA

Custo de Frete s/ Compras

total do custo do frete s/ compras

R$

LOG

TRA

Razão do Frete s/ Compras por Faturamento Líquido

custo do frete s/ compras / fat. Líquido

%

LOG

TRA

Custo de Frete s/ Vendas

total do custo do frete s/ vendas.

R$

LOG

TRA

Razão do Frete s/ Vendas por Faturamento Líquido

custo do frete s/ vendas / fat. Líquido

%

ENG

PRD

Acurácia de B.O.M. (Listas de Material)

listas corretas / listas verificadas

%

ENG

PRD

Pontualidade de Execução de Projetos

projetos terminados em dia / total de projetos

%

ENG

PRD

Desempenho de Execução de Projeto

dias de atraso / dias do projeto

%

ENG

PRD

Índice de Obsolescência

Valor obsoletado / valor de lista

%

ENG

PRS

Acurácia de Instrução de Trabalho

ITs corretas / ITs verificadas

%

QUA

QUA

Índice de Refugo

valor refugado / valor produzido

%

QUA

QUA

Índice da Qualidade do Fornecedor (IQ)

itens com defeito / total de itens

%

QUA

QUA

Índice da Qualidade Interna

(First Time Capability-FTC)

produtos aprovados (na primeira vez) / produtos testados

%

QUA

QUA

Índice de Satisfação do Cliente

(total -(reclamações ou defeitos)) / total

%

QUA

QUA

Índice de Garantia

garantias concedidas / total produzido

%

QUA

QUA

Capabilidade do Processo

método estatístico

nível ?

PRO

PRO

Eficiência de Produção (DP)

qdades produzidas /qdades possível no tempo em operação

%

PRO

PRO

Índice de Ocupação

tempo programado / tempo de calendário

%

PRO

PRO

Paradas de Linha

horas de parada de linha

horas

MAN

MAN

Disponibilidade de Equipamento (DE)

Tempo de operação / tempo programado

%

MAN

MAN

Overall Equipment Efficiency (OEE)

DE x DP x FTC

horas

MAN

MAN

MTBF

tempo médio entre paradas

horas

MAN

MAN

MTTR

tempo médio para reparo

horas

COM

COM

Índice Global de Qualidade do Fornecedor

 IP(preço) x IQ(qualidade) x IE(entrega) x IS(suporte)

Consulte o tópico de Compras para mais detalhes

%

 

 

Índices de primeiro nível

 

 

 

 

Índices de segundo nível

 

 

LOG=logística  PCP=planejamento e controle de produção  PCM=planejamento e controle de materiais  ALM=almoxarifado  TRA=transportes

ENG=engenharia  PRD=eng. de produto  PRS=engenharia de processos  QUA=qualidade  PRO=produção  MAN=manutenção  COM=compras

 
 

 

Indicadores-Chave

Abaixo, você pode ver os indicadores-chave que podem exprimir a eficiência operacional de uma indústria. Os indicadores da área industrial estão detalhados na tabela anterior, para os demais, consulte os tópicos específicos em Compras e Finanças.

 

OS 10 INDICADORES-CHAVE DA EFICIÊNCIA OPERACIONAL DE UMA INDÚSTRIA

ÁREA

INDICADOR

FÓRMULA

UN.

Industrial/Logística

Desempenho de Entrega do Fornecedor

entregas ok na data/entregas programadas

%

Industrial/Qualidade

Índice da Qualidade do Fornecedor

itens com defeito / total de itens

%

Industrial/Produção

Desempenho do Plano de Produção

média mensal de: ( produção real por família na semana / produção planejada por família na semana)

%

Industrial/Qualidade

Índice da Qualidade Interna (FTC)

produtos aprovados (na primeira vez) / produtos testados

%

Financeira/Tesouraria

Saldo de Fluxo de Caixa Projetado

entradas – saídas + saldo mês anterior

R$

Financeira/Contabil.Financeira

Ebitda

margem de contribuição – custos fixos e despesas fixas (linha do DRE por custeio variável)

R$

Financeira/Contabil.Financeira

Lucro Líquido

LAIR – imposto de renda (última linha do DRE)

R$

Financeira/Contabil.Gerencial

Ciclo Financeiro

prazo médio de recebimento + prazo médio de estoques – prazo médio de pagamentos

 

Industrial/Qualidade

Índice de Satisfação do Cliente

(total -(reclamações ou defeitos)) / total

%

Industrial/Logística

Desempenho de Entrega ao Cliente

entregas ok na data/entregas programadas

%

 

 

Buscando Sempre a Melhoria

E lembre-se de que a fórmula para melhorar os resultados de uma Organização está ligada, basicamente, ao trinômio: "pessoas", "processos" e "tecnologia". Como o fator "tecnologia" envolve, o mais das vezes, altos investimentos, como por exemplo a implementação de um MRP, podemos iniciar o trabalho de melhoria com o binômio "pessoas" e "processos". 

 

 

No tocante aos "processos", as ferramentas da qualidade disponíveis à gestão industrial como: housekeeping, PDCA (melhoria contínua)lean manufacturing, Six Sigma são algumas formas de se buscar melhoria de resultados. Com respeito às "pessoas": a alocação da pessoa certa, no lugar certo, o treinamento constante,  e o uso de técnicas de liderança são a melhor solução para conduzir à melhoria dos resultados.